segunda-feira, 4 de março de 2013

Leigos e celibatários



Em nossa época celibato e sacerdócio são vinculados. Um não pode haver sem  o outro. De modo que para o povo, um homem que não se casa e não quis ser padre deve ter algo errado com ele. No mínimo é um solteirão. Voto de castidade até é compreensível em uma mulher, mas para o homem parece estranho. Principalmente nesta época voltada para o sexo de forma irrestrita. No entanto nem sempre foi assim. Na verdade o celibato por amor ao Reino dos céus surgiu desligado da vocação ao sacerdócio. Na Igreja antiga muitos  padres eram casados. Foi com o eremitas e os futuros monges que o celibato começou a se impor como forma de sinal da entrega total a Deus. Santo Antão, São Bento e muitos outros não eram no inicio nem religiosos. Mas homens que assumiram o celibato e se retiraram do mundo para ser vir a Deus e cuidar das coisas e do modo de se interessar apenas pelo Senhor, como explica são Paulo no que se refere à razão do celibato.
         Mas além dos religiosos houve alguns homens leigos que assumiram o celibato de forma privada. Continuando vivendo em suas famílias e no mundo. Já no final da Idade Média temos um príncipe polonês, cuja memória inscrita no calendário litúrgico católico é celebrada no dia 04 de março. São Casimiro, jovem príncipe que faleceu aos 25 anos. Herdeiro do trono da Hungria e  príncipe da Lituânia, tinha tudo para não assumir o celibato. Foi aconselhado ate mesmo a se casar porque como príncipe deveria ter descendência. Mas preferiu permanecer fiel ao seu voto de castidade. Tendo contraído a tuberculose, em sua época acreditava-se que como casamento poderia ficar curado. Mesmo assim ele preferiu ficar solteiro. E alem dele, em época mais recente temos o medico santo, São José Moscatti, O Beato Contardo Ferrini, O venerável Matt  Talbot, irlandês, que voluntariamente fizeram voto de castidade em particular. São exemplos raros, mas que marcam a vida de um fiel leigo e infelizmente testemunho desconhecido. Eles nem, se quer participaram de um Instituo Secular. Viveram o celibato sem status. Sem ter em vista um poder dentro da Igreja como padres ou a visibilidade dos  religiosos. Compreenderam bem  o conselho Paulino que diz que aquele que foi chamado a servir a Deus estando solteiro faria bem em permanecer solteiro.
         Em nossa época a Igreja aceita a consagração no celibato em um Instituo Secular. Pouco divulgado, desconhecido e até mesmo incompreendido. Não é estranho que quase 100% dos Institutos seculares sejam femininos. Ate mesmo para certas autoridades da Igreja se não quis casar porque não foi ser padre? Mas  o celibato por amor ao Reino dos Céus não está necessariamente vinculado ao sacerdócio, embora seja conveniente a quem deve ser ministro de Deus, que  deixe tudo para segui-lo. No entanto, também aquele que o quer seguir de forma diferente, no silencio de sua vida oculta, sem atrair para si os olhares do mundo, tendo uma vida comum como outro leigo, poderá fazê-lo. Um Instituto secular serve como uma grande ajuda para se ter uma orientação espiritual, esta vinculada a uma espiritualidade e a uma instituição reconhecida pela Igreja. Se fizermos tudo com conselho e amparado pelas orações dos irmãos da mesma vocação, fica mais difícil nos enchermos de orgulho ou desanimo  e cair por causa da solidão e dos apelos do mundo. Porem a vocação ao celibato antecede mesmo ao ingresso a um Instituo Secular, Nasce do nosso amor absoluto a Deus e do desejo de servi-l0 de corpo e alma.

                                                                                     Prof. Francisco Castro

2 comentários:

Wilton Salazar disse...

O celibato é dom de Deus. Imagino que a percepção do celibato é semelhante à do chamado sacerdotal que todos os batizados são chamados. Somos reis, profetas e sacerdotes no batismo. Porém, muita gente não compriende essa vocação. Pois o sacerdócio batismal é impresso em nós antes do cahamado à Ordem. Somos, homens e mulheres, sacerdotes, "um povo sacerdotal". E somos chamados À perfeita continência desde cedo, homens e mulheres. A compreenção do celibato de ve ser vista à luz da Bíblia, inspirados pelo Espírito Santo.
Muitas famílias, também, não educam os meninos para serem continentes, como se isso não fizesse parte da própria sexualidade do homem. Não somos animais que nascemos somente para procriação, somos seres chamados por Deus para transcedermos tais atitudes.
Em vista do batismo poderíamos alcançar a graça do celibato, vivendo como o Senhor Jesus viveu. Configurar-se a Cristo

Bruno Henrique Veiga de Souza disse...

Muito bom seu texto, prof. Francisco. Já conhecia São Casimiro e o Dr. Moscatti, mas não imaginara que seguiria o mesmo caminho que eles. Seu texto é um dos que me incentivaram e formaram. Valeu, Deus te abençoe!